Uma volta re-volta

Alvaro Herrera

Escrevo este ensaio ou talvez devo dizer que ensaio escrever, enquanto meu cachorro morde o próprio rabo. Tratarei de me enfocar em mostrar porque sua imagem de cão hiperativo me lembra tanto a arte nacional (Colombiana).  O estado da arte talvez seja um assunto de Performance canino, de saber fazer as ordens determinadas, de ir aonde se tem que ir e claro, colocar boa pinta e fazer alguma macacada. Em que momento de nossa formação universitária aprendemos a nos comportar da maneira apropriada? Hoje em dia várias Faculdades de Arte, tem espaços específicos de treinamento, por exemplo, aulas de “Gestão Cultural”,  porém à luz de várias coisas, a queixa é que não se “sai” o suficientemente treinado nessas atitudes “extra artísticas”, que se vêm como o augúrio de um “êxito” profissional.  Como melhorar a “performance” de um recentemente graduado? Como medir-lo? Deveria ser de fato a primeira pergunta. Se treinamos profissionais ávidos de ganâncias, ou perseguidores do reconhecimento, se requerem exercícios diferentes, ensaios diferentes para ofícios específicos.

O meio artístico nacional é especialista em esquecer. O novo espetáculo, não é mais que outra revolta ao velho ensaio.  Não quero dizer que a atitude seja deplorável, mas que muitas vezes o são seus resultados. O que pode existir de novo, se tudo é um “restored behavior”? Existirão novas formas ou modos de recombinar esses comportamentos,  um meio amnésico, sempre pensará que à ordem de se sentar, só se responde sentando-se. 

A emergência da Arte, talvez requeira cuidados intensivos, esse é outro tema que as vezes me tira o sono. À falta de sono, continua alguma frase desconectada, que me perdoará o leitor com olhos menos vermelhos. Tenho pensado em sair com minha ambulância a recolher enfermos terminais que as vezes se confundem com estrelas fulgurantes. Tenho visto desde o camarote[1] e metido até os joelhos, o transcorrer das danças de acasalamento da feira de arte local, mas ainda me falta poder escrever essa história animal de ciúme, paqueras e “desplantes”.

Por outra parte, em meio a este estado, intui-se que não se está preparado para tudo e que as exposições de galerias as caracteriza o não-risco e que seu valor principal é cotizar mais aos que já foram cotizados. Na crise mundial, ainda há espaço para especular um pouco com a saúde e a vitalidade da arte jovem.

Por que a idéia não tem o valor que deve ter em um espaço onde se supõe que nós estamos brincando com o pensamento?  Se fala de “retornos ao ofício”, que talvez seja outra forma de chamar ao fato de que nos sentimos mais cômodos com o mesmo ou quiçá que gostamos de falar o pouco que sabemos falar.  Não vou negar que talvez também esteja contaminado, caso no qual a ambulância também deve vir por mim para me internar.

Qual seria o diagnóstico deste paciente? Visão curta, apetite voraz (canibalismo), pouco olfato, tato seletivo só para o conveniente e um sem sabor amplo, que só o acalmam muitos poucos placebos. 

 

Alvaro R. Herrera é artista plástico e visual, observador do meio artístico e escritor emergente.



[1] Na tradução para o português nós substituímos a palavra “barrera” pela palavra “camarote”. No texto original a palavra “barrera” se refere ao lugar, na tourada da cultura espanhola, onde as pessoas estão olhando o assassinato de um inocente animal, com a mesma segurança que as pessoas podem olhar o carnaval desde o camarote.